MENSAGEM DO PRESIDENTE
Caros pampilhosenses e visitantes,
Na era da globalização, que parece querer resumir-se
a uma espécie de ditadura do económico sobre os restantes valores
sociais e ambientais que condicionam a vida na Terra, vale a pena
reflectir sobre a importância dum território como o concelho de
Pampilhosa da Serra para o futuro deste planeta.
A partir do final da primeira metade do Século XX, a
expectativa de encontrar locais que lhes proporcionassem melhores
condições de vida levou a maioria dos pampilhosenses a deixarem as suas
terras, quase sempre com a esperança de um dia voltar em condições
financeiras mais favoráveis. O espírito solidário que os unia e a
vontade inabalável de concretizar esse sonho levou-os a constituírem em
cada aldeia uma associação a que chamaram Comissões de Melhoramentos,
Ligas, Uniões e outras designações com significado semelhante, quase
todas sedeadas na Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra.
O reforço do poder autárquico, que assumiu as
funções que lhe competiam e que até aí eram em grande parte
desenvolvidas pelas associações de aldeia, o afastamento das novas
gerações que foram encontrando outros locais e motivos de interesse que
as nossas Comissões não terão podido ou sabido acompanhar e a
independência económica dos pampilhosenses face à terra e à floresta
que lhes dava o sustento para viver, foram alguns dos factores que
conduziram à chamada crise do "regionalismo" (como é designado
na nossa zona de origem este movimento associativo).
E é neste contexto que voltamos à reflexão inicial.
Isto é, numa época em que o ambiente é todos os dias maltratado, em que
o chamado "stress" da vida na cidade faz as pessoas que aí
vivem procurarem locais "paradisíacos" para fugirem a essas
rotinas, em que começamos a assistir à invasão pacífica dos
estrangeiros que compram terrenos no Algarve, no Alentejo e noutras partes
do país para investir, será que a Pampilhosa da Serra não poderá vir a
ser um investimento de futuro para as gerações vindouras?
Por outro lado, continua a existir algo que une os
pampilhosenses de sucessivas gerações e que, contra tudo e contra todos,
ganham nova energia quando se encontram e convivem, desde as pessoas da
chamada terceira idade até aos mais jovens que vão constituindo pequenos
grupos, continuando a ter como principal elo de ligação a aldeia a que
estão ligados por laços familiares.
É a partir destas duas realidades actuais, baseadas no
território e nas pessoas, que iremos procurar recriar novos objectivos
para a Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra. Respeitamos muito o
passado e a memória dos que nos antecederam, mas queremos fazer uso dos
recursos do futuro para unir e servir os pampilhosenses, valorizando o
território a que estamos ligados e contribuindo para o seu
desenvolvimento com os meios ao nosso alcance.
Contamos convosco para os projectos do nosso plano de
actividades, que alguns considerarão ambicioso, mas que se todos
quisermos será mais fácil de executar do que as obras dos pioneiros do
"regionalismo" pampilhosense.
Anselmo Lopes
|